"Algumas vezes a alegria pode ser a origem do seu sorriso; mas, algumas vezes, o seu sorriso pode ser a origem da sua alegria."
Thich Nhat Hanh
O movimento de retorno na vida de uma pessoa, o enfraquecimento ou a dissolução da forma, seja por meio do envelhecimento, da doença, da incapacidade, da perda ou de algum tipo de tragédia pessoal, contém um grande potencial para o despertar espiritual - o rompimento da identificação da consciência com a forma. Considerando o fato de que não há muita verdade espiritual na cultura contemporânea, poucas são as pessoas que reconhecem esses eventos como uma oportunidade. Assim, quando eles acontecem com elas ou com alguém próximo, sua crença é de que existe algo terrivelmente errado, alguma coisa que não deveria estar ocorrendo.
Como bulbos adormecidos sob a terra enregelada, as qualidades da mente iluminada necessitam de tempo e de condições apropriadas para brotar. Embora momentos de visão clara surpreendentes e reveladores possam aprofundar nosso entendimento, a mente iluminada não se abre de repente. Esses momentos de visão clara são como os dias que vão ficando mais quentes no fim do inverno. Um único dia quente, ensolarado, não fará com que as flores desabrochem, mas, se mais dias assim ocorrerem, veremos indícios do caule e das folhas e, finalmente, botões. Da mesma maneira, à medida que se acumulam, os momentos de visão clara começam a influir em nossa atividade. Somos capazes de abrir nosso coração. Começamos a usar o que entendemos na contemplação para inspirar nossa conduta no mundo. O tipo de visão clara que temos e a capacidade de entender seu significado dependem de quanto tivermos antes consolidado a força da mente.
"Para que a sabedoria da vacuidade funcione como um antídoto realmente efetivo para as aflições mentais e os obscurecimentos sutis ao conhecimento, deve-se ter o fator complementar de bodhichitta, a intenção altruística de atingir o estado de buda para o benefício de todos os seres."
Chöd é um dos mais profundos e melodicamente inquietantes métodos de cura tibetana. A prática nos ajuda a nos livrar do apego àquilo que mais prezamos - o corpo - e enfraquece a nossa falsa noção de um eu concreto. A meta de chöd é libertar a mente do medo para que penetre na grande extensão do mahamudra (mente sem objetivo). Transpondo a dualidade desta maneira, acredita-se que a pessoa consiga inativar todos os demônios, liberando-os no espaço cósmico.
Colocar a mente sobre a respiração é a primeira coisa que fazemos na meditação. Nesse momento, montamos o cavalo: colocamos o pé no estribo e nos alçamos para a sela. É uma questão de sentar-se corretamente.
Existe outra prática para tocar a terra chamada três reverências. Entregamos nosso eu para a corrente da vida e observamos a fundo a natureza da nossa interconexão. Todas as noites, no meu eremitério na França, pratico as três reverências antes de dar início à meditação sentada. (...)