Archive for Setembro 2009

Ataque ao Monastério de Bat Nha - ajuda urgente!


Ataque ao Monastério de Bat Nha (27 de Setembro de 2009)

9:45 (horário local)
- Estamos no telefone com o Mosteiro de Bat Nha. A situação é grave e há risco de vida para os monges.
- Os invasores reuniram-se às 9:30, e começaram a destruir o monastério em seguida.
- Policiais à paisana estão presentes o tempo todo, mas não fazem nada para intervir.
- Os monges fazem meditação sentada no terceiro andar do seu edifício, buscando enviar energia para os invasores que estão cegos pela ignorância e oram ao Bodhisatva da Escuta Profunda para apagar o fogo da ignorância nos corações dos invasores com o néctar da compaixão.
- Sons altos são ouvidos através do telefone.
- Almofadas de meditação são jogadas para fora do prédio.
- Cerca de 150 pessoas atacam e destroem o prédio.

10:30
- Os monges são obrigados a deixar os seus dormitórios.
- Todos pertences pessoais dos monges e da comunidade são jogados fora.

10:50
- A polícia arrasta os irmãos Phap Hoi e Phap Tu (os irmãos mais antigos do monastério). Os monges são arrastados com força, como se fossem animais.
- Uma budista leiga é perseguida pela polícia, enquanto chora e grita "Nós estamos em perigo, querido professor!".

11:06
- Chove em Bat Nha. Os monges estão sentados sob a chuva fria.
- A polícia chama grandes caminhões de transporte para retirar os monges.
- Todos os caminhos para o monastério são monitorados. Amigos leigos tentam ajudar, mas são mantidos afastados.
- O número de policiais aumenta. Eles ocupam todos os quartos do monastério e agrupam todos os monges no campo do lado de fora.
- A aldeia das irmãs ainda está calma.

11:23
- Um caminhão grande dirige-se para aldeia dos irmãos, chamada de "Mente de Iniciante".
- Os monges estão sentados em círculos sob a chuva fria.
- Sinos, livros de sutras, roupas e objetos pessoais estão empilhados na chuva fria.

12:00
- Os monges ainda estão sentados sob a chuva, faz muito frio.
- Guardas de trânsito controlam todas as estradas que conduzem ao Monastério de Bat Nha.



     Por favor, rezem para os 376 irmãos e irmãs do Monastério de Prajna para que tenham paz e solidez. Por favor, não deixem que as sementes do ódio e do desespero despertem em você, por conta da violência que atingiu o Monastério de Prajna. Gostaríamos que você lesse um poema escrito por Thich Nhat Hanh chamado "Recomendação". Escrito em 1965 para os jovens da Escola de Juventude para o Serviço Social que arriscavam as vidas diariamente durante a guerra, recomendando as mesmas para que se preparassem para morrer sem ódio.

Prometa-me,
Prometa-me neste dia,
Prometa-me agora,
enquanto o sol está sobre nós,
exatamente no zênite,
Prometa-me.

Mesmo que eles te derrubem
com uma montanha de ódio e violência;
mesmo que eles pisem e esmaguem você
como um verme,
mesmo que eles desmembrem e tirem as tripas de você,
lembre-se irmão,
lembre-se:
o homem não é nosso inimigo.

A única coisa digna é a compaixão -
invencível. ilimitada, incondicional.
O ódio nunca deixará você enfrentar
a besta no homem.

Um dia, quando você enfrentar a besta sozinho,
com a coragem intacta, seus olhos generosos,
livres de problemas
(mesmo que ninguém os veja),
a partir de seu sorriso,
uma flor desabrochará.
E aqueles que te amam,
o suportarão
através dos dez mil mundos do nascimento e da morte.

Sozinho novamente,
vou continuar com a cabeça curvada,
sabendo que o amor tornou-se eterno.
Na longa e áspera estrada,
o sol e a lua
continuarão a brilhar.



Por favor, ajudem os irmãos e irmãs do Monastério Bat Nha, cujo destino no Vietnam é incerto. Maneiras de ajudar:
1- dediquem os méritos aos monásticos de Bat Nha e aos que estão promovenso estes atos.
2- mantenham-se informados: http://www.plumvillage.org/ e http://www.helpbatnha.org/.
3- enviem e-mail de apoio aos monásticos: we.are.all.here.for.you@gmail.com.
4- promovam grupos de meditação sentada no próximo domingo 4 de outubro, tirem fotos do grupo e as enviem para: helpbatnha.photos@gmail.com
5- disseminem esta informação para todos que possam ajudar.
6- denunciem: http://www.un.org/, http://www.amnesty.org/, ps.dir@asean.org (Association of Southeast Asian Nations), etc.

Namo Avalokiteshvara.

Um sereno confronto com a realidade


     Meditação não é evasão; é um sereno confronto com a realidade. Para praticá-la a pessoa precisa estar alerta como o motorista de um carro: se não estiver desperta, ela será arrastada pela dispersão e esquecimento, exatamente como o motorista desatento pode ser levado a causar um grave desastre. Você deve estar alerta como alguém caminhando sobre um fio de arame - qualquer descuido pode levá-lo à morte. Você deve ser como um cavaleiro medieval caminhando desarmado por uma floresta de espadas. Você deve ser como o leão que avança com passo vagaro, brando e firme. Somente com essa total vigilância é que você poderá alcançar o despertar.
     Para os principiantes, recomenda-se o método de simples reconhecimento. Eu disse que esse reconhecimento deve ser feito sem julgamento: tanto a compaixão como a irritação devem ser recebidas, reconhecidas e tratadas com absoluta igualdade, pois elas são nós mesmos. A tangerina que eu estou comendo sou eu mesmo. A mostarda que estou plantando sou eu mesmo, eu planto com todo coração e toda alma. Eu limpo esta chaleira com a mesma atenção que daria banho no bebê Buda. Nenhuma coisa deve ser tratada com menos cuidado do que a outra. Para a mente alerta, compaixão, irritação, planta de mostarda, chaleira, todos são iguais, todos são Budas.

Thich Nhat Hanh em "Para viver em paz".  

Aonde você está indo?



     Existe uma história zen sobre um homem e um cavalo. O cavalo está galopando rapidamente, e parece que o homem que cavalga se dirige a algum lugar importante. Outro homem, em pé ao lado da estrada, grita "Aonde você está indo?" e o homem a cavalo responde: "Não sei. Pergunte ao cavalo." Esta é a nossa história. Estamos todos sobre um cavalo, não sabemos aonde vamos e não conseguimos parar. O cavalo é a força dos nossos hábitos que nos puxa, e somos impotentes diante dela. Estamos sempre correndo, e isso já se tornou um hábito. Estamos acostumados a lutar o tempo todo, até mesmo durante o sono. Estamos em guerra com nós mesmos, e é fácil declarar guerra aos outros também.
     Precisamos aprender a arte de fazer cessar - parar nosso pensamento, a força de nossos hábitos, nossa desatenção, bem como as emoções intensas que nos regem.

Thich Nhat Hanh em "A essência dos ensinamentos de Buda".  

Qual é a melhor religião?



No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
— Santidade, qual é a melhor religião?
Esperava que ele dissesse: "É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo".O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos — o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta — e afirmou:
— A melhor religião é aquela que te faz melhor.
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
— O que me faz melhor?
— Aquilo que te faz mais compassivo (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião...
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.

Leonardo Boff em "Conselhos espirituais".

Sem a impermanência, a vida não existiria



     A compreensão da impermanência nos proporciona confiança, paz e alegria. A impermanência não conduz obrigatoriamente ao sofrimento. Sem a impermanência, a vida não existiria. Sem a impermanência a sua filha não cresceria e se tornaria uma linda mulher. Sem a impermanência os regimes opressivos nunca mudariam. Mas nós achamos que a impermanência nos faz sofrer. O Buda deu o exemplo do cachorro que foi atingido por uma pedra e ficou zangado com a pedra. Não é a impermanência que nos faz sofrer, mas sim o desejo de que todas as coisas sejam permanentes, quando na verdade não são.
     Devemos aprender a apreciar o valor da impermanência. Se temos boa saúde e consciência da impermanência, vamos cuidar de nossa saúde. Ao saber que a pessoa que amamos é impermanente, daremos mais valor a ela. A impermanência nos ensina a respeitar e valorizar cada momento de nossa vida, bem como todas as coisas preciosas que estão ao nosso redor e dentro de nós. Quando praticamos a atenção plena à impermanência, sentimo-nos mais renovados e mais amororsos.

Thich Nhat Hanh em "A essência dos ensinamentos do Buda".

Tudo o que somos

Tudo o que somos é o resultado do que pensamos, é baseado em nossos pensamentos, é feito de nossos pensamentos. Se um homem fala ou age com um mau pensamento, o sofrimento o persegue, como a roda da carroça persegue o casco do cavalo que a puxa. Se um homem fala ou age com um pensamento puro, a felicidade o persegue como sua sombra que nunca o abandona.


Dhammapada.

A sabedoria da não-discriminação

Certo dia eu estava martelando um prego na parede para pendurar um quadro. Eu não era muito habilidoso e, em vez de acertar o prego, atingi o meu dedo. Imediatamente, a minha mão direita soltou o martelo e cuidou da esquerda. A mão direita não disse em nenhum momento: "Mão esquerda, veja bem, estou cuidando de você, e você nunca deve se esquecer disso." E a mão esquerda não declarou: "Mão direita, você me fez sofrer. Exijo justiça, me passe imediatamente aquele martelo!" A minha mão esquerda nunca pensa dessa maneira. A sabedoria da não-discriminação está presente em nós. E se fizermos uso dela, haverá paz na nossa família e na nossa comunidade.


Thich Nhat Hanh em "A arte do poder".

Momento presente, momento maravilhoso

Dentro, fora.

Profundo, lento.

Calmo, despreocupado.

Sorrir, liberar.

Momento presente, momento maravilhoso.


Thich Nhat Hanh em "A arte do poder".

Cultivando a compaixão

Mas o melhor de tudo é que não importa quanto tempo você passa meditando, ou o método que utiliza; toda técnica de meditação budista acaba gerando compaixão, independentemente de estarmos conscientes ou não dela. Sempre que observar sua mente, você não tem como deixar de reconhecer sua semelhança com as pessoas que o cercam. Quando vê seu próprio desejo de ser feliz, você não tem como evitar ver o mesmo desejo nos outros e, quando observa claramente seu próprio medo, raiva ou aversão, você não tem como evitar ver que todos ao seu redor sentem o mesmo medo, raiva ou aversão. Quando observa sua própria mente, todas as diferenças imaginárias entre você e os outros automaticamente se dissolvem e a antiga prece dos Quatro Imensuráveis se torna tão natural e persistente quanto as próprias batidas do seu coração:
Que todos os seres sencientes tenham felicidade e as causas da felicidade.
Que todos os seres sencientes sejam livres do sofrimento e das causas do sofrimento.
Que todos os seres sencientes tenham alegria e as causas da alegria.
Yongey Mingyur Rinpoche em "A alegria de viver".

O inimigo é seu mestre

Na nossa vida, cultivar a tolerância é muito importante. Com tolerância, pode-se facilmente superar as dificuldades. Caso você tenha pouca ou nenhuma tolerância, ficará irritado com as mínimas coisas. Em situações difíceis, terá reações extremadas. Em minha vida, já refleti muito a respeito desta questão e sinto que a tolerância é algo que deve ser praticado no mundo inteiro, no seio da sociedade humana. Mas, quem nos ensina tolerância? Pode ser que seus filhos o ensinem a cultivar a paciência, mas é seu inimigo quem irá ensinar-lhe a prática da tolerância. O inimigo é seu mestre. Mostre-lhe respeito, ao invés de ódio. Dessa forma, a verdadeira compaixão irá brotar de seu interior e essa compaixão é a base de tudo aquilo que você é e acredita.
S.S. Dalai Lama.

Por gentileza, não saia de carro em 22/09

A meta é mobilizar um milhão de motoristas conscientes em todo o mundo. As cidades do mundo inteiro precisam reduzir seus deslocamentos individuais. De acordo com o IPCC, 28,19 bilhões de toneladas de CO2 são despejados anualmente na atmosfera, 13% deste total vem do setor de transportes. Mudar esse panorama depende da forma como você vem se deslocando na sua cidade.

Por uma mobilidade mais humana e cidades mais sustentáveis, por gentileza, não saia de carro em 22/09.

Declare seu compromisso em http://www.naovoudecarro.com.br/.

Por gentileza, acesse http://www.car-free-days.org/.
"Todos queremos ter o nosso próprio carro; mas com o dano causado à atmosfera pela queima de combustíveis, nossos lagos e florestas estão secando e os desertos aumentando. Todos nós podemos fazer algo para proteger e cuidar do nosso planeta. É hora de nos conscientizarmos, com o objetivo de fazer algo para mudar essa situação. Devemos viver de uma maneira para que o futuro seja possível para os nossos filhos e netos e a nossa própria vida deve ser nossa mensagem."
Thich Nhat Hanh.
Por gentileza, repasse essa idéia.

Você não é uma entidade completamente isolada

Ausência do eu não significa que você não existe, e sim que você não é uma entidade completamente isolada. Grande parte do sofrimento nasce da diferenciação entre o eu e os outros e a nossa idéia de um eu separado. Suponha que você é pai ou mãe. Ao olhar para o seu filho, percebe que ele é sua continuação. Assim como a espiga do milho é a continuação do grão de milho, a criança é a continuação do pai e da mãe. O pai e a mãe estão presentes em cada célula do filho. O pai e o filho, ou a mãe e o filho, não são exatamente a mesma pessoa, mas também não são duas pessoas diferentes. Se o pai ou a mãe for capaz de enxergar isso, entrará com em contato com a sua natureza da ausência do eu. Por conseguinte, ficar zangado com o seu filho é ficar zangado consigo mesmo. Ficar zangado com o seu pai ou a sua mãe significa ficar zangado consigo mesmo. Isso está muito claro. Quando você é capaz de entrar em contato com a sua natureza da ausência do eu, quando deixa de perceber uma distinção entre você e o sue filho ou a sua filha, sua raiva desaparecerá. Quando estiver em uma luta de poder, se souber como meditar sobre a ausência do eu, saberá o que fazer. Você pode interromper o seu sofrimento e o das outras pessoas que estão na luta. Você sabe que a raiva do outro é a sua raiva, o sofrimento dele é o seu sofrimento e a felicidade dele é a sua felicidade.

Thich Nhat Hanh em "A arte do poder".

Entrando em contato com Deus

Certo dia de inverno, São Francisco de Assis estava andando e meditando, ou praticando uma caminhada com mente alerta. Chegou perto de uma amendoeira. Parou diante dela, suspirou e disse: "Amendoeira, fala-me de Deus". E então, bem naturalmente, a amendoeira se cobriu de flores, ainda que fosse o mais rigoroso inverno. Na dimensão histórica, em nossa realidade diária, a amendoeira nem mesmo flores produz. Mas, no mundo da dimensão última, a amendoeira teve flores por dezenas de milhares de anos. Segundo a dimensão histórica, o Buda viveu e morreu, e nós não somos o Buda. Mas, segundo a dimensão última, nos já somos o Buda. Portanto, estar em contato com a amendoeira é um modo de estar em contato com Deus. Você não encontrará Deus numa idéia abstrata. Deus está aqui para nós através de coisas bem concretas.
Thich Nhat Hanh em "A energia da oração".

Ser belo significa ser você mesmo

O Buda disse que todos temos a beleza dentro de nós, mas talvez tenhamos dificuldade em aceitar essa idéia, se estivermos recebendo uma mensagem diferente em casa, no trabalho ou na comunidade. Muitos de nós acreditam que o nosso local de trabalho não é um lugar seguro. Frequentemente temos medo de ser criticados quando estamos trabalhando. Receamos ser nós mesmos e nos modificamos para conseguirmos ser aceitos. Se a sua felicidade depende inteiramente da opinião das outras pessoas, você não tem nenhuma confiança em si mesmo, de modo que quando não é considerado belo e digno pelos outros, você sofre. É isso que faz com que tenha vontade de ser outra pessoa, outra coisa, o que é a base do sofrimento.

A flor não tem esse tipo de medo. Ela convive no jardim com muitos outros tipos de flores, algumas cor-de-rosa, outras amarelas, algumas com pétalas, outras com muito poucas. Mas a flor nunca tenta imitar outra flor. Não tente ser uma pessoa diferente. Você não precisa de uma cirurgia plástica. O cosmo se juntou e ajudou-o a se manifestar dessa maneira, e você é uma pessoa bonita exatamente do jeito que você é. Ser belo significa ser você mesmo. Você não precisa que os outros o aceitem. Você precisa aceitar a si mesmo. Se você nasceu uma flor de lótus, seja belo como uma flor de lótus, não tente ser uma magnólia. Se anseia por aceitação e reconhecimento, e tenta se modificar para se encaixar no que os outros querem que você seja, sofrerá a vida inteira. A verdadeira felicidade e o verdadeiro poder residem em você entender, aceitar e ter confiança em si mesmo.

Thich Nhat Hanh em "A arte do poder".

O verdadeiro amor

Podemos fazer uma pessoa sorrir? Somos capazes de aumentar sua fé e seu entusiasmo? Se não conseguimos realizar essas pequenas coisas, como podemos amá-la? Amar alguém significa proporcionar-lhe alegria e felicidade por meios concretos.
Thich Nhat Hanh em "Ensinamentos sobre o amor"

O segundo toque na terra

Com gratidão, faço uma reverência a todas as gerações de ancestrais da minha família espiritual. Vejo em mim o meu mestre, aquele que me aponta o caminho do amor e da compreensão, a maneira correta de respirar, sorrir, perdoar e viver intensamente no momento presente. Por meio dele vejo todos os mestres de muitas gerações, todos os bodhisattvas e o Buda Shakyamuni, aquele que iniciou minha família espiritual há 2.600 anos. Vejo o Buda como meu mestre e também como meu antepassado espiritual. Percebo que a energia dele e de muitas gerações de mestres penetraram em mim criando paz, alegria, compreensão e bondade amorosa. Sei que a energia do Buda operou uma profunda transformação no mundo. Sem o Buda e todos estes antepassados espirituais, eu não teria aprendido a praticar com a intenção de estabelecer a paz e felicidade em minha vida, na vida da minha família e na sociedade. Abro meu coração e meu corpo para receber a energia da compreensão, a bondade amorosa e a proteção do Buda, do dharma e da sangha por muitas gerações. Sou uma continuação do Buda, do dharma e da sangha. Peço a estes antepassados espirituais que me transmitam a infinita fonte de energia, paz, estabilidade, compreensão e amor. Comprometo-me a praticar para transformar o sofrimento em mim e no mundo e transmitir estas energias para as futuras gerações de praticantes.
Thich Nhat Hanh em "Ensinamentos sobre o amor".

A mente em meditação

"Se a mente não é fabricada, aparece espontaneamente imbuída de uma felicidade sublime, assim como a água que se mostra naturalmente transparente e límpida quando não é agitada".

Sogyal Rinpoche em "O livro tibetano do viver e do morrer".

A consciência natural

Na verdade, a essência da prática da meditação é abrir mão de todas as suas expectivas sobre ela. Todas as qualidades de sua mente natural - paz, abertura, relaxamento e clareza - estão presentes em sua mente de qualquer maneira. Você não precisa fazer nada diferente. Você não precisa mudar ou alterar sua consciência. Tudo o que você precisa fazer ao observar sua mente é reconhecer as qualidades que já possui.


Yongey Mingyur Rinpoche em "A alegria de viver".

Nosso cavalo selvagem

A mente aturdida é como um cavalo selvagem. Ela escapa quando tentamos encontrá-lo, assusta-se quando tentamos nos aproximar. Se descobrimos uma maneira de montá-lo, dispara com o freio entre os dentes e, finalmente, joga-nos direto na lama. Pensamos que a única maneira de acalmá-la é dar-lhe o que deseja. Gastamos muito da nossa energia tentando satisfazer e entreter esse cavalo selvagem que é a mente.

A mente aturdida é fraca porque está sempre distraída. Está distraída pela necessidade imperiosa de manter o conforto do eu. Ela medita sobre sua natureza discursiva e a absorção consigo própria, e isso a conduz ao sofrimento, porque a mente aturdida não pode transceder a si mesma. Quando surge uma dificuldade, ela é incapaz de superá-la. Quando acontece o inesperado, ela reage a partir de uma perspectiva limitada em que quer pemanecer feliz em seu cantinho. Portanto, se somos ameaçados, nos livramos disso por intermédio da raiva. Se alguém tem algo que desejamos, automaticamente sentimos inveja. Ao ver algo de que gostamos, sentimos desejo. Não duvidamos dessas respostas - nem mesmo perguntamos: "Vale a pena ficar zangado por causa disso?". O que nos deixa felizes e o que nos deixa tristes resumem-se a condições externas, circunstâncias que estão constantemente mudando. Isso aumenta ainda mais o nosso aturdimento e sofrimento.

Sakyong Mipham em "Fazer da mente uma aliada".

Refúgio na Sangha

Quem viveu em uma Sangha sabe muito bem que sem ela não conseguimos nos beneficiar com os ensinamentos do Buda e do Dharma. A Sangha nos protege, nos orienta, nos apóia, e sem ela não conseguimos viver, assim como um tigre não pode existir sem a sua montanha. Se ele abandonar a montanha e for para a planície, será pego pelos humanos e será morto. Um praticante sem a Sangha estará perdido, abandonando em pouco tempo a prática. Volte imediatamente à sua Sangha - não espere. Ajude a construir uma Sangha para a sua proteção, apoio e orientação. Isto não é uma afirmação. A Sangha não é uma idéia, ela deve tornar-se uma realidade. Deve ser o objeto do seu desenvolvimento, da sua prática, todos os dias.


Thich Nhat Hanh em "Jesus e Buda, irmãos".

Primeiro treinamento da plena consciência: reverência à vida

Consciente do sofrimento causado pela destruição da vida, eu me comprometo a cultivar o insight do interser e da compaixão, e aprender maneiras de proteger a vida das pessoas, animais, plantas e minerais. Estou determinado a não matar, a não deixar que outros matem e não apoiar nenhum ato de matança no mundo, seja na minha maneira de pensar ou no meu modo de vida. Ao ver que as ações que causam sofrimento surgem a partir da raiva, do medo, da avidez e da intolerância - que, por sua vez, baseiam-se no pensamento dualista e discriminativo - cultivarei a abertura, a não discriminação e o não apego a pontos de vista para transformar a violência, o fanatismo e o dogmatismo em mim mesmo e no mundo.

Meditando sobre o som

Meditar sobre o som é muito parecido com meditar sobre a forma, com a diferença de que agora você está acionando a faculdade da audição. Comece permitindo que sua mente repouse por alguns momentos em um estado de relaxamento e, então, aos pouco, permita-se tomar consciência das coisas que você ouve perto de seu ouvido, como, por exemplo as batidas do coração ou a respiração, ou os sons que ocorrem naturalmente a seu redor. Algumas pessoas acham útil tocar uma gravação de sons naturais ou uma música suave. Não há necessidade de tentar identificar esses sons, nem é necessário focar em um som específico. Na verdade, é mais fácil se permitir tomar consciência de tudo o que você escuta. A questão se resume a cultivar a consciência pura e simples do som à medida que atinge seu ouvido.
Como ocorre na meditação sobre a forma e a cor, você provavelmente descobrirá que consegue se concentrar nos sons a seu redor somente por alguns segundos por vez, antes de sua mente dispersar. Tudo bem se isso acontecer. (...)
Um dos grandes benefícios da meditação sobre o som é que ela gradativamente ensina você a deixar de atribuir significado aos vários sons que ouve. Você aprende a ouvir sem reagir emocionalmente ao conteúdo.

Yongey Mingyur Rinpoche em "A alegria de viver".

Alimentos para a mente

Às vezes não temos necessidade de consumir tanto quanto consumimos. O consumo em si pode tornar-se uma espécie de vício, porque nos sentimos extremamente sós. A solidão é um dos males da vida moderna. Quando estamos solitários, nutrimos nosso corpo e nossa consciência com alimento que pode nos intoxicar. Assim como despendemos tanto esforço para seguir uma dieta adequada ao nosso corpo, precisamos também seguir uma dieta adequada à nossa consciência, evitando ingerir alimento intelectual ou espiritual tóxico. Quando assistimos TV, lemos livros ou revistas ou pegamos o telefone, estamos apenas piorando as nossas condições, se o nosso consumo não for consciente. Depois de uma hora assistindo a um filme repleto de violência, regamos as sementes da violência, de ódio e de medo que existem dentro de nós. Nós o fazemos e permitimos que nossos filhos o façam. Precisamos organizar encontros de família, a fim de discutir uma política inteligente no que se refere a assistir televisão. Poderíamos rotular nossos aparelhos de TV como rotulamos nossos maços de cigarro: "Atenção: Assistir televisão pode ser perigoso para a sua saúde." As crianças vêem muitas imagens violentas na televisão. Precisamos de uma política inteligente no que diz respeito ao uso da televisão.
Thich Nhat Hanh em "Vivendo em paz".

As duas dimensões da vida

Abraçamos a prática da meditação em busca de alívio para nossos sofrimentos, e a meditação pode nos ensinar a transformar esse sofrimento e conseguir um alívio fundamental. Mas a mais profunda forma de alívio é a compreensão do nirvana. Existem duas dimensões para a vida, e deveríamos ser capazes de estar em contato com ambas. Uma é a onda, e a chamamos de dimensão histórica. A outra é como a água, e a chamamos de dimensão suprema, ou nirvana. Nós comumente, só tocamos a onda, mas quando descobrimos como tocar a água, somos agraciados com o mais excelso fruto que a meditação pode oferecer.

Thich Nhat Hanh em "Vivendo em paz".

Meditação do abraço

A meditação do abraço é uma prática que eu mesmo inventei. Em 1996, uma poetisa levou-me até o aeroporto de Atlanta e lá me perguntou:
- Posso abraçar um monge budista?
No meu país, não temos o costume de nos expressar dessa maneira, mas pensei: "Sou um mestre zen. Isso não pode ser problema para mim." Então eu disse:
- Por que não? - e ela me abraçou.
Mas eu estava muito rígido. No avião decidi que, se queria trabalhar com amigos no Ocidente, teria que aprender sua cultura. E foi assim que criei a meditação do abraço.
Esse tipo de meditação é uma combinação do Oriente e Ocidente. De acordo coma prática, temos que abraçar a pessoa verdadeiramente. Precisamos fazer com que ela seja bem real em nossos braços. Não basta darmos tapinhas nas suas costas para fingir que estamos ali - devemos respirar conscientemente e abraçá-la com todo o nosso corpo, espírito e coração. A meditação do abraço é uma prática de atenção plena. "Inspirando, sei que alguém querido está nos meus braços, vivo. expirando, sinto que ele é muito precioso para mim." Se respirarmos assim profundamente, abraçando a pessoa que amamos, a energia do cuidado, do amor e da atenção plena a penetrará, e ela será nutrida e ficará viçosa como uma flor.

Thich Nhat Hanh em "Ensinamentos sobre o amor".