Archive for Dezembro 2010

Cheguei, já estou em casa...

   Já somos aquilo que gostaríamos de nos tornar. Não temos que ser outra pessoa. Tudo o que temos que fazer é sermos nós mesmos, total e autenticamente. Não temos que correr atrás de nada. Já contemos o cosmo inteiro. Simplesmente voltamos a ser nós mesmos por meio da plena consciência e tocando a paz e a alegria que já estão presentes dentro e ao redor de nós. Cheguei. Já estou em casa. Não há nada a fazer. Nenhum objetivo, nada-a-alcançar, é uma prática maravilhosa.
   Nossas aflições nada mais são do que iluminação. Podemos deslizar em paz nas ondas de nascimento e morte. Podemos viajar no barco da compaixão e atravessar o oceano da ilusão com um sorriso destemido. À luz da interexistência, vemos a flor no lixo e o lixo na flor. É nas profundezas do sofrimento e das aflições que podemos contemplar a iluminação e o bem-estar. É exatamente na água lamacenta que a flor de lótus brota e floresce. 
   Bodhisattvas são aqueles que penetraram na realidade de não-nascimento e não-morte. É por isso que eles vivem noite e dia sem temor. Com essa liberdade, podem fazer muito para ajudar os que estão sofrendo. Basta estarmos no mundo do sofrimento e das aflições para que possamos nos tornar um Buda. E, quando estivermos livres, poderemos passear no oceano do nascimento e morte sem medo, ajudando os que estão afundando no oceano do sofrimento.   

Thich Nhat Hanh em "Transformações na consciência".

Transformando o mundo...

   A nossa liberdade interior não tem outros limites senão aqueles que nós lhe impomos ou os que aceitamos que nos sejam impostos. E essa liberdade nos traz também um grande poder. Ela pode transformar o indivíduo, permitir que ele alimente as suas capacidades e viva cada momento em completa plenitude. Quando os indivíduos se transformam, fazendo com que a sua consciência chegue à maturidade, o mundo também se transforma, porque esse mundo é feito de indivíduos.

Francesco e Luca Cavalli-Sforza.

O que é a beleza?

   Povo de Orphalese, a beleza é a vida quando a vida desvela seu rosto sagrado.
   Mais vós sois a vida, e vós sois o véu.
   A beleza é a eternidade olhando para si própria num espelho.
   Mas vós sois a eternidade, e vós sois o espelho.

Gibran Khalil Gibran em "O profeta".

As sete atitudes da plena consciência.

      As sete atitudes da plena consciência:
  1. Plena consciência sem julgamentos. Comporte-se como um observador imparcial em relação a tudo o que experimenta. Evite adicionar uma conotação positiva ou negativa ao que acontece, apenas observe.
  2. Paciência. Cultive a compreensão de que as coisas devem acontencer em seu próprio tempo.
  3. Mente de principiante. Tenha a capacidade de observar o mundo como se fosse a primeira vez, criando uma amplitude que é essencial à plena consciência.
  4. Auto-conficança. Confie em você, na sua intuição e nas suas habilidades.
  5. Ausência de metas. Planeje, porém permaneça sempre aberto e flexível ao longo do caminho  
  6. Aceitação. Não resista ao que está acontecendo no momento presente, apenas aceite.
  7. Ausência de fixação. Não se prenda nos seus pensamentos e sentimentos. Observe-os simplesmente como são: apenas pensamentos e sensações.
Baseado no livro "Full Catastrophe Living" de Jon Kabat-Zinn.

O prazer e a ação desperta.

   Sempre que dizemos "gosto de fazer isto", na verdade estamos cometendo um equívoco. Isso dá a impressão de que o prazer vem da ação, mas não é o caso. Ele flui para o que estamos fazendo e, dessa maneira, para o mundo, partindo de nosso íntimo. O erro de pensar que o prazer tem origem naquilo que executamos é normal. Porém, é também perigoso porque cria a idéia de que ele pode ser produzido por alguma coisa ou atividade. Assim, esperamos que o mundo nos dê prazer, felicidade. Entretanto, o mundo não consegue fazer isso. É por esse motivo que muitas pessoas vivem num permanente estado de frustação. A realidade não lhes concede aquilo de que elas pensam que precisam.
   Então, qual é a relação entre algo que estamos fazendo e o prazer? Sentimos prazer com qualquer atividade em que estejamos plenamente presentes, com toda a ação que não seja apenas um meio para alcançarmos um fim. O que nos proporciona essa sensação não é o ato que executamos, e sim a energia vital que flui para ele. Essa animação e o que nós somos existem como uma coisa só. Isso significa que, quando temos prazer em fazer algo, estamos de fato sentindo a alegria do Ser no seu aspecto dinâmico. É por isso que tudo que nos dá prazer nos coloca em contato com o poder que está por trás de toda criação. 

Eckhart Tolle em "Um novo mundo, o despertar de uma nova consciência".   

O ego e o momento presente.

   O relacionamento primordial da nossa vida é aquele que mantemos com o Agora ou com qualquer forma que ele assuma, isto é, com aquilo que é ou que acontece. Se houver um distúrbio na relação que temos com o Agora, ele se refletirá em todos os relacionamentos e em todas as situações que encontrarmos. O ego pode ser definido simplesmente assim: um relacionamento desajustado com o momento presente. Mas podemos decidir que tipo de relação queremos estabelecer com o momento presente. 
   Depois que alcançarmos certo grau de consciência (e, se você está lendo isto, quase certamente o atingiu), somos capazes de escolher que espécie de relacionamento desejamos travar com o momento presente. Pretendemos tê-lo como amigo ou inimigo? O momento presente é inseparável da vida, portanto, na verdade, estamos decidindo que tipo de relacionamento queremos ter com a vida. Uma vez que tenhamos optado por torná-lo nosso amigo, depende de nós dar o primeiro passo: devemos ser amistosos com ele, recebê-lo bem, não importa que disfarce apresente, e logo veremos os resultados. Com isso, a vida passa a ser mais amigável em relação a nós, as pessoas se mostram prestativas, as circunstâncias nos favorecem. Uma decisão muda toda a nossa realidade. No entanto, precisamos fazer essa escolha o tempo todo, sem parar - até que viver dessa maneira seja algo natural para nós.

Eckhart Tolle em "Um novo mundo: o despertar de uma nova consciência".

Livrando-se da bagagem desnecessária...

   A incapacidade, ou melhor, a relutância da mente humana em deixar de lado o passado é primorosamente ilustrada na história dos dois monges zen, Tanzan e Ekido, que caminhavam numa estrada enlameada depois de uma forte chuva. Próximo a uma aldeia, eles encontraram uma moça que estava tendo dificuldade em atravessar a estrada por causa da lama. Se ela continuasse a caminhar, estragaria seu quimono de seda. Sem titubear, Tanzan a pegou no colo e a carregou para o outro lado da estrada.
   Os monges prosseguiram na sua caminhada em silêncio. Cinco horas depois, quando já estavam perto do templo onde passariam a noite, Ekido não conseguiu mais se conter.
   - Por que você carregou a moça para o outro lado da estrada - perguntou. - Nós, monges, não devemos fazer essas coisas.
   - Faz horas que coloquei aquela jovem no chão - respondeu Tanzan. - Você ainda a está carregando?
   Agora, imagine como seria a vida de alguém que viva como Ekido o tempo todo, incapaz de parar de pensar nas situações ou não querendo fazer isso e acumulando cada vez mais "material" dentro de si. Isso nos dá uma idéia de como é a vida da maioria das pessoas. Que pesado fardo elas carregam na mente.

Eckhart Tolle em "Um novo mundo: o despertar de uma nova consciência".  

O guerreiro no mundo.

   Como vivemos a partir da base imaculada e pura da bondade fundamental? Como geramos a cada encontro um coração compassivo? Como plantamos a flor do bodhichitta na rocha da idade das trevas? O modo mais rápido e prático de fazer isso é afrouxar o controle sobre nós mesmos. É então que o cavalo-de-vento se faz mais acessível. Sempre volto a uma de minhas frases favoritas: "Se quiser sentir-se desgraçado, pense em si mesmo. Se quiser ser feliz, pense nos outros." É assim que fazemos com que a mente iluminada desça e retorne à realidade.

Sakyong Mipham em "Fazer da mente uma iluminada".