Archive for Abril 2011

Sathya Sai Baba


Vocês pedem: "Eu quero paz."
Removam o "eu" (ego) e o "quero" (desejo), e o que resta é "paz".

Sathya Sai Baba.


O último dia...

  
   Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: "Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último". Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: "Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?" E se a resposta é "não" por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.
   Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração. Ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo.
   O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.

Steve Jobs, extraído do blog irmão http://sangavirtual.blogspot.com/.

Quem sou eu?


Quem sou eu, que não sou este corpo?
Sou o Ser (que é imaterial, imutável e imperecível).
Quem sou eu, que não sou esta mente que pensa?
Sou o Ser (que é serenidade e paz).
Quem sou eu, que não sou os cinco sentidos?
Sou o Ser (que é silêncio e comunhão).
Quem sou eu, que não sou as emoções?
Sou o Ser (que é ponderação e equilíbrio).
Quem sou eu, que não sou sensações?
Sou o Ser (que é satisfação).
Quem sou eu, que não sou desejo, necessidade, vontade?
Sou o Ser (que é plenitude).
Quem sou eu, que não sou passado, presente e nem futuro?
Sou o Ser (que é atemporal, eterno).
Quem sou eu, que não sou ego, personalidade?
Sou o Ser (que é tudo).
Quem sou eu, que não sou os papéis que represento?
Sou o Ser (que é a verdadeira natureza, a verdadeira identidade).
Quem sou eu, que não sou individualidade?
Sou o Ser (que é uno).
Quem sou eu, que não sou orgulho nem vaidade?
Sou o Ser (que é simplicidade).
Quem sou eu, que não sou insegurança nem medo?
Sou o Ser (que é luz).

Ramana Maharshi em Atma Vicara.

O carimbo do imperador.

  
   Quando você estiver só, praticando a meditação em caminhada lenta, pode tentar isto: inspire, dê um passo e focalize todas as suas atenções à sola de seu pé. Se você não tiver chegado totalmente ao aqui e agora, não dê o próximo passo. Você tem a possibilidade de fazer isto. Então, quando estiver certo de que chegou, 100% ao aqui e agora, tocando profundamente a realidade, sorria e dê o próximo passo. Quando você caminha assim, você imprime sua estabilidade, sua solidez, sua liberdade, sua alegria no solo. Seu pé é como um carimbo. O carimbo do imperador. Quando você carimba um pedaço de papel, o carimbo marca uma impressão. Olhando para sua pegada, o que vemos? Vemos a marca da liberdade, a marca da solidez, a marca da felicidade, a marca da vida. Tenho certeza de que você pode dar um passo como este, porque há um buda dentro de você. A capacidade de estar ciente ao que está acontecendo é denominada natureza do Buda. E o que está acontecendo: estou vivo, estou dando um passo. Uma pessoa, um ser humano, Homo Sapiens, deveria ser capaz de fazer isto. Há um buda em todos nós e deveríamos permitir que ele caminhasse.

Thich Nhat Hanh em "Corpo e mente em harmonia".   

O significado da compaixão

  
   O budismo entende a compaixão de uma forma, em alguns aspectos, um pouco diferente do sentido comum da palavra. Para os budistas, a compaixão não significa apenas sentir pena das outras pessoas. O tempo tibetano - nying-jay - implica uma expansão absolutamente direta do coração. Provavelmente, a tradução mais próxima de nying-jay seja "amor" - mas um tipo de amor sem apego e sem nenhuma expectativa de retorno. A compaixão, em termos tibetanos, é um sentimento espontâneo de vínculo com todos os seres vivos. O que você sente eu sinto; o que eu sinto você sente. Não há nenhuma diferença entre nós. 

Yongey Mingyur Rinpoche em "A alegria de viver".     

Interrompendo a reação em cadeia.

   Entender como as nossas emoções têm o poder de nos fazer andar em círculos nos ajuda a descobrir como aumentamos a nossa dor, como prejudicamos a nós mesmos. Devido à plena atenção, podemos visualizar as coisas quando elas surgem ... podemos parar de nos prejudicar e de prejudicar os outros. Nós não entramos mais na reação em cadeia que transforma fatos insignificantes em problemas gigantes- nos deixamos os fatos permanecerem de maneira insignificante.  

Pema Chödrön, capturado do blog irmão  http://mindfulbalance.org/.

A calma interior

   A meditação tem por objetivo libertar a mente da ignorância e do sofrimento. Como fazer? Não basta desejá-lo. Deve-se aplicar um método sistemático que permita livrar a mente dos véus que a obscurecem. Como é a própria mente que deve se encarregar dessa tarefa, temos de estar certos de que ela é capaz de fazê-lo. Se ela não ficar imóvel por um único instante, como poderia se libertar de sua ignorância? A mente é como um macaco preso por numerosos laços que não para de saltar em todos os sentidos para se soltar. Gesticula tanto que impede qualquer pessoa, e a si mesmo, de desfazer um só nó. É preciso começar por acalmá-lo, tornando-o atento. Acalmar o macaco não significa imobilizá-lo, mantendo-o acorrentado. O objetivo é aproveitar essa trégua para lhe devolver a liberdade. Utilizamos igualmente o controle que acompanha a mente quando ela está calma, atenta, clara e maleável para libertá-la das correntes criadas pelos pensamentos vazios, pelas emoções conflituosas e pela confusão. 

Matthieu Ricard em "A arte de meditar".        

O efeito sombra



  A sombra é uma parte de nossa consciência, nas palavras de Carl Gustav Jung a sombra é “a coisa que uma pessoa não tem desejo de ser”. A sombra é a parte oculta que existe em nossa psique, nossos sentimentos reprimidos, medos, desejos, a sombra pode ser um aliado ou o destruidor de nossas vidas. O principal objetivo do livro O Efeito Sombra é apresentar ao leitor o conceito desse elemento presente e onipresente em nossa psique, mostrar como a sombra atua em nosso dia-a-dia, em nossa vida, os prejuízos que ela traz quando é ignorada e desconhecida e o grande número de portas que ela pode abrir quando é aceita e compreendida.

A verdadeira paz

  
   A paz que buscamos não é a paz que se debilita assim que a dificuldade ou o caos aparecem. Se estivermos à procura de uma paz interior ou global, ou uma combinação das duas, a forma de vivenciá-la é construindo a base sólida da abertura incondicional perante qualquer acontecimento. A paz não é uma experiência isenta de desafios, de aspereza e suavidade, é uma experiência que se expande o suficiente para abranger tudo que surgir sem nos sentirmos ameaçados. 

Pema Chödrön em "O salto".  

Um caminho

   Há mais de 2.500 anos, sete semanas depois de obter a iluminação sob a árvore Bodhi, o Buda deu seu primeiro ensinamento no Parque das Gazelas, perto de Benares. Lá, ele ensinou as Quatro Nobres Verdades. A primeira verdade é a existência do sofrimento. Não só os sofrimentos óbvios que saltam aos olhos, mas também aqueles que, como vimos, existem de forma mais sutil. A segunda verdade diz respeito às causas do sofrimento: a ignorância que gera o desejo ardente, a maldade, o orgulho, e muitos outros pensamentos que envenenam nossa vida e a dos outros. Como esses venenos mentais podem ser eliminados, a cessação do sofrimento - a terceira verdade - é , portanto, possível. A quarta verdade é percorrer o caminho que transforma essa possibilidade em realidade. Esse caminho é o processo pelo qual podemos usar todos os meios possíveis para eliminar as causas fundamentais do sofrimento.

Matthieu Ricard em "Felicidade".

A humildade

  
   O conceito de humildade é muitas vezes associado ao desprezo por si mesmo, à falta de confiança nas próprias capacidades, à depressão ligada a um sentimento de impotência e até um complexo de inferioridade, um sentimento de menos-valia ou de não ser digno. Isso é subestimar consideravelmente os benefícios da humildade, pois se a suficiência é o privilégio do estúpido, a humildade é a virtude fecunda daquele que sabe quanto ainda tem que aprender e a extensão do caminho a ser percorrido. Diz S. Kirpal Singh: "A verdadeira humildade consiste em ser livre de toda a consciência do eu, o que implica em ser livre da própria consciência da humildade. O homem de fato humilde ignora a sua humildade". Na ausência do sentimento de ser o centro do universo, ele está aberto para os outros e se situa na perspectiva justa da interdependência.

Matthieu Ricard em "Felicidade".  

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