Archive for Janeiro 2010

Teia de bondade

   Podemos argumentar que não recebemos as coisas livremente, mas temos que trabalhar por elas. Por exemplo, temos de pagar quando vamos às compras e também temos de pagar quando comemos em um restaurante. Nós podemos usar o nosso carro, mas tivemos que comprar o carro e pagar pela gasolina, impostos e seguros. Ninguém nos dá nada de graça. Mas de onde tiramos o dinheiro? É verdade que, em geral, temos de trabalhar para termos o nosso dinheiro, mas são os outros que nos dão o dinheiro ao nos empregarem ou comprarem os nossos produtos. Além disso, a razão pela qual somos capazes de fazer um trabalho especial é o fato de termos recebido a formação necessária ou a educação de outras pessoas. Onde quer que olhemos, encontramos apenas a bondade dos outros. Estamos todos interligados em uma teia de bondade da qual é impossível separar a nós mesmos. Tudo o que temos e tudo o que apreciamos, incluindo a nossa própria vida, deve-se à bondade dos outros. Na verdade, toda a felicidade que existe no mundo surge como resultado da bondade dos outros.


Curando a si mesmo: o primeiro toque na terra.


   Com gratidão, faço uma reverência a todas as gerações de ancestrais da minha família de sangue. Vejo minha mãe e meu pai, cujo sangue e carne e vitalidade estão circulando nas minhas próprias veias e nutrindo cada uma das minhas células. Por meio deles vejo meus quatro avós. Suas expectativas, experiências e sabedoria foram transmitidas por muitas gerações de ancestrais. Levo comigo a vida, o sangue, a experiência, a sabedoria, a felicidade e a tristeza de todas as gerações. Estou praticando para transformar o sofrimento e todos os elementos que precisam ser modificados. Abro meu coração, minha carne e meus ossos para receber a energia do insight, do amor e da experiência que me foi transmitida por todos os meus antepassados. Vejo minhas raízes no meu pai, na minha mãe, nos meus avós e em todos os meus ancestrais. Percebo que sou apenas a continuação dessa linhagem ancestral. Por favor, apóiem-me, protejam-me e transmitam-me suas energias. Sei que, onde quer que seus filhos e netos estejam, os antepassados também estarão. Reconheço que os pais sempre amam e apóiam seus filhos e netos, embora muitas vezes não tenham a capacidade de expressar esse sentimento da melhor maneira em razão das dificuldades que eles próprios enfrentaram. Sinto que meus ancestrais procuraram criar um modo de viver fundamentado na gratidão, na alegria, na confiança, no respeito e na bondade amorosa. Já que somos uma continuação deles, curvo-me em profunda reverência e deixo sua energia fluir por meu intermédio. Peço-lhes que me concendam apoio, proteção e força.

Thich Nhat Hanh em "Ensinamentos sobre o amor".

Iguais


   É fácil achar que nós somos os únicos a sofrer, enquanto outras pessoas são de alguma forma imunes à dor, como se tivessem nascido com algum tipo de conhecimento especial sobre ser feliz, por meio de algum acidente cósmico, que nunca recebemos. Ao pensar assim, fazemos com que nossos próprios problemas pareçam muito maiores do que realmente são.

Yongey Mingyur Rinpoche em "A alegria de viver".

Des-construindo o ego


   O conteúdo do ego varia de pessoa para pessoa, no entanto todo ego funciona de acordo com a mesma estrutura. Em outras palavras: os egos diferem apenas na superfície. No fundo, eles são iguais. De que maneira são semelhantes? Eles existem à custa da identificação e da separação. Quando vivemos por meio do eu construído pela mente, que se constitui dos pensamentos e das emoções do ego, a base da nossa identidade é precária porque os pensamentos e as emoções são, por sua própria natureza efêmeros, instáveis. Assim, todo o ego está continuamente lutando pela sobrevivência, tentando se proteger e aumentar o seu tamanho. Para sustentar o pensamento do eu, ele precisa de algo oposto, que é o pensamento "o outro". O "eu" conceitual não consegue sobreviver sem o "outro" conceitual. Os outros são sobretudo os outros quando os vemos como inimigos. Numa extremidade da escala do padrão egóico de consciência, situa-se o hábito compulsivo de encontrarmos defeitos nas pessoas e nos queixarmos delas. Jesus referiu-se a isso quando disse: "Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho?". No outro extremo da escala, encontram-se a violência física entre indivíduos e as guerras entre países. Embora na Bíblia, a pergunta de Jesus permaneça sem resposta, ela é, sem dúvida: porque quando critico ou condeno o outro sinto-me maior, superior.

Eckhart Tolle em "Um novo mundo: o despertar de uma nova consciência".     

Alcançando a grandiosidade


   Aquilo que é notável surge das pequenas coisas que são dignificadas e tratadas com atenção. A vida de todos nós consiste, sem dúvida, em pequenas coisas. A grandiosidade é uma abstração mental e a fantasia favorita do ego. O paradoxo é que a base para alcançá-la é o respeito pelas pequenas coisas do momento presente, e não a perseguição da idéia de grandeza. O momento presente é sempre pequeno no sentido de que é simples, mas, escondido dentro dele, está o poder maior. Assim como o átomo, ele é uma das menores coisas, no entanto é extradiordinariamente poderoso. Nós só temos acesso a esse poder quando nos alinhamos com o momento presente. Talvez seja mais apropriado dizer que ele tem acesso a nós e, por nosso intermédio, ao mundo.

Eckhart Tolle em "Um novo mundo: o despertar de uma nova consciência".
Foto: plantação de mostarda.
Fonte: http://www.flickr.com/photos/i_am_jacques_strappe/.

A necessidade do consumo consciente


   A luta contra o aquecimento global passa por uma renúncia ao consumismo para favorecer assim as iniciativas compatíveis com um desenvolvimento sustentável do planeta, segundo um relatório publicado na terça-feira (12) pelo Worldwatch Institute, com sede em Washington. "Temos visto esforços para combater a crise mundial provocada pela mudança climática nos últimos anos, mas proceder a essas mudanças tecnológicas e políticas e manter uma cultura centrada no consumismo e no crescimento não é algo compatível", afirmou Erik Assadourian, do Worldwatch Institute. As despesas com o consumo nos países industrializados compreendem cerca de 70% do Produto Interno Bruto. Segundo o relatório anual da instituição, a população mundial consumiu US$ 30,5 trilhões em bens e serviços em 2006, um aumento de 28% em dez anos. Esse forte crescimento do consumo implica uma explosão da extração de matérias-primas e do consumo de energia. Segundo ainda a instituição, os 500 milhões de pessoas mais ricas do mundo (cerca de 7% da população) são responsáveis por 50% das emissões de CO2, contra 6% dos três bilhões mais pobres.

Fonte: Folha de São Paulo.

O que é mais fácil?


   Uma lenda popular tibetana ilustra os benefícios de desenvolver essa forma de compaixão que tudo abrange. Um nômade que passou seus dias andando pelas montanhas era constantemente ferido pelo chão áspero e espinhoso por não ter sapatos. Ao longo de suas viagens, ele começou a coletar as peles de animais mortos e espalhá-las nos caminhos das montanhas, cobrindo as pedras e os espinhos. No entanto, mesmo com grande esforço, ele só conseguiu cobrir várias centenas de metros quadrados. No final, ocorreu-lhe que, se usasse algumas pequenas peles para fazer um par de sapatos, ele poderia andar por milhares de quilômetros sem nehuma dor. Ao se limitar a cobrir os pés com couro, ele cobriu toda a superfície do planeta com couro.
   Da mesma forma, se você tentar lidar com cada conflito, cada emoção e cada pensamento negativo toda vez que ocorrerem, você será como o nômade tentando cobrir o mundo com couro. Se, por outro lado, trabalhar no sentido de desenvolver uma mente amorosa e tranquila, você pode aplicar a mesma solução para cada problema em sua vida.

Yongey Mingyur Rinpoche em "A alegria de viver".

Curando os sentimentos negativos


   A cura tem muitos caminhos. Quando sentimos raiva, dor ou desespero, só precisamos inspirar e expirar conscientemente e reconhecer o sentimento de raiva, dor ou desespero, e depois deixar o trabalho de cura para a nossa consciência. Mas não é somente pelo fato de entrar em contato com a nossa dor que podemos nos curar. Na verdade, se não estivermos prontos para isso, entrar em contato com ela poderá apenas exacerbá-la. Precisamos primeiro nos fortalecer, e a forma mais fácil de fazê-lo é entrando em contato com a paz e a alegria. Existem muitas coisas maravilhosas, mas como centralizamos nossa atenção no que está errado, não estamos aptos a entrar em contato com o que não está errado. Se despendermos algum esforço para inspirar e expirar e entrar em contato com o que não está errado, mais fácil será a cura. Muitos de nós trazem dentro de si tanta dor que se torna difícil tocar uma flor ou segurar a mão de uma criança. Mas precisamos fazer algum esforço para desenvolver o hábito de tocar o que é belo e propício. Esta é a maneira de ajudar a nossa consciência armazenadora a executar o trabalho de transformação. Nós nos deixamos curar pelas árvores, pelos pássaros, pelas belas crianças. De outra maneira, apenas reprisaremos o nosso sofrimento.

Thich Nhat Hanh em "Vivendo em paz".  

Podemos contar com a natureza?


   Certo dia, enquanto meditava, eu estava contemplando o aquecimento global, o tsunami no Sudeste Asiático, as mudanças nas condições atmosféricas e assim por diante. Um tanto ou quanto angustiado, fiz à natureza a seguinte pergunta: "Natureza, você acha que podemos contar com você?" Fiz a pergunta porque sei que a natureza é inteligente, ela sabe como reagir, às vezes com violência, para restabelecer o equilíbrio. E ouvi a resposta sob a forma de outra pergunta: "Eu posso contar com você?" A pergunta me estava sendo devolvida: a natureza pode contar com os seres humanos? Respirei profundamente e então declarei: "Sim, de modo geral você pode contar comigo." Em seguida, ouvi a resposta da natureza: "Sim, de modo geral você pode contar comigo." Essa conversa que tive com a natureza foi muito profunda.

Thich Nhat Hanh em "A arte do poder". 

A importância de encarar o nosso sofrimento


   Todo vício surge de uma recusa inconsciente de encararmos nossos próprios sofrimentos. Todo vício começa no sofrimento e termina nele. Qualquer que seja o vício - álcool, comida, drogas legais ou ilegais, ou mesmo uma pessoa -, ele é um meio que usamos para encobrir o sofrimento. É por isso que, passada a euforia inicial, existem tanta infelicidade, tanto sofrimento nos relacionamentos íntimos. Estes não causam o sofrimento e a infelicidade. Eles trazem à superfície o sofrimento e a infelicidade que já estão dentro de nós. Todo vício faz isso. Todo vício chega a um ponto em que já não funciona mais para nós, e, então, sentimos o sofrimento mais forte do que nunca.
   Essa é a razão pela qual muitas pessoas estão sempre tentando escapar do momento presente e buscando algum tipo de salvação no futuro. A primeira coisa que devem encontrar, caso focalizem a atenção no Agora, é o próprio sofrimento que carregam, e é isso o que mais temem. Se ao menos soubessem como, no Agora, é fácil acessar o poder da presença que dissolve o passado e o sofrimento. Se ao menos soubessem como estão perto da própria realidade, como estão perto de Deus.

Eckhart Tolle em "Praticando o poder do agora".

Lidando com a negatividade


   Sempre que sentir a negatividade crescer dentro de você, causada ou não por um fator externo, um pensamento ou mesmo nada em particular, olhe para ela como se fosse uma voz dizendo: "Atenção, aqui e agora. Acorde. Largue a sua mente. Esteja presente." Até mesmo a mais leve irritação é significativa e precisa ser reconhecida e observada. Do contrário, haverá um aumento cumulativo de reações não-observadas. Uma alternativa para descartar uma reação negativa é fazê-la desaparecer ao imaginar a si mesmo se tornando transparente para a causa externa da reação.
   Recomendo que você pratique primeiro com as coisas do dia-a-dia. Vamos dizer que você esteja em casa. De repente, vindo da rua começa a soar um alarme insistente de carro. Surge uma irritação. Qual é o objetivo dessa irritação? Nenhum até aqui. Por que você a criou? Você não a criou. Quem a criou foi sua mente. Ela teve uma reação totalmente automática, totalmente inconsciente.
   Por que a mente a criou? Porque ela sustenta a crença inconsciente de que a resistência dela, que você absorve como alguma forma de negatividade ou infelicidade, vai dissolver a condição desejada. Isso é naturalmente uma ilusão. A resistência que ela cria, nesse caso a irritação ou raiva, é muito mais desagradável do que a causa original que ela está tentando desfazer.
   Tudo isso pode ser transformado em prática espiritual. 

Eckhart Tolle em "Praticando o poder do agora".

Existências cíclicas


   Eu sou budista. Creio que um ser humano pode tomar a forma de um ser inferior. Nosso renascimento se acha condicionado por nossas atividades negativas e por nossos atos virtuosos. Nessa perspectiva, nossa força kármica é fundamental. É a semente. As marcas kármicas positivas e negativas são depositadas na consciência sutil. Esta consciência sutil é conhecida como consciência primordial, ou clara luz, que não tem começo e nem fim. É a consciência que veio das vidas anteriores e se dirige para as próximas, São as marcas kármicas de que ela é portadora que dão origem às experiências de dor e felicidade. Quando morremos, só as marcas de nossas ações positivas nos ajudam. Assim, quando vivos e capazes de nos dedicarmos a um treinamento sistemático, é importante que nos preparemos para a morte. Somente então seremos capazes de enfrentar o momento vindo.

S.S. Dalai Lama em "Principíos de vida".

Entregando-se ao vento...


   A qualidade da sua consciência nesse momento é que vai determinar o tipo de futuro que você vai viver. Portanto, entregar-se é a coisa mais importante que você pode fazer para provocar uma mudança positiva. Qualquer outra coisa que você fizer será secundária. Nenhuma ação positiva pode existir de um estado de consciência onde não existe entrega.
   Para muitas pessoas, a entrega talvez tenha conotoções negativas, como uma derrota, uma desistência, uma incapacidade de se reerguer das ciladas da vida, certa letargia, etc. A verdadeira entrega, entretanto, é algo completamente diferente. Não significa suportar passivamente uma situação qualquer que nos aconteça e não fazer nada a respeito, nem deixar de fazer planos ou de ter confiança para começar algo novo.
   A resistência interior acontece quando dizemos "não" para aquilo que é, através do nosso julgamento mental e de uma negatividade emocional. Isso se agrava especialmente quando as coisas "vão mal", o que significa que há um espaço entre as exigências ou expectivas rígidas da nossa mente e aquilo que é. Esse é o espaço do sofrimento.
   Se você já tiver vivido bastante tempo, certamente saberá que as coisas "vão mal" com muita frequência. É precisamente nesses momentos que a entrega tem de ser praticada, caso queiramos eliminar o sofrimento e as mágoas da nossa vida. A aceitação daquilo que é nos liberta imediatamente da identificação com a mente e nos religa com o Ser. A resistência é a mente.
   Na verdade, não é a situação completa que temos de aceitar quando falo de entrega, mas apenas o segmento minúsculo chamado o Agora. Por exemplo, se você estiver atolado na lama, não tem que dizer; "Está bem, me conformo de estar atolado na lama." Resignação não quer dizer entrega.  Nem precisa se iludir e dizer que não tem nada errado em estar atolado na lama. Nada disso. Você tem completa consciência de que deseja sair dali. Então reduz a sua atenção ao momento presente, sem atribuir a essa situação nenhum rótulo mental.  Isso significa que não existe nenhum julgamento do Agora. Em consequência, não existe nenhuma resistência, nenhuma negatividade emocional. Você aceita a "existência" do momento. A seguir, toma uma atitude e faz tudo o que puder para sair da lama.         

Eckhart Tolle em "Praticando o poder do agora".     

Paciência quando alguém nos fere


   Para desenvolver nossa paciência, é preciso que alguém nos fira de forma voluntária, a fim de que tenhamos a ocasião de praticar a tolerância. Tais pessoas testam nossa força interior de uma maneira que nem o nosso guru pode reproduzir. Fundamentalmente, a paciência nos protege de sermos desencorajados.
Muitas pessoas acreditam que ser paciente é sinal de fraqueza. Penso que é um erro. A cólera é que é sinal de fraqueza, enquanto a paciência é sinal de força.  

S.S. Dalai Lama em "Princípios de vida".

Raspando a sujeira...


   Existe um outro nível de significado aqui que enfatiza as suposições básicas sobre a nossa vida. Assim como a cosmologia budista descreve o mundo exterior como infinito no espaço e no tempo, os budistas também descrevem o potencial humano, o mundo interior, como infinito. O Lama Yeshe, um ótimo professor budista tibetano que partiu alguns anos atrás, costumava contar a seguinte parábola aos seus alunos ocidentais: "Vocês são como mendigos que vivem em uma choupana ignorando sua pobreza. Enquanto isso, logo abaixo do chão imundo existe um tesouro de valor imensurável. Vocês só precisam raspar a sujeira para descobrí-lo."
   O tesouro está na verdade dentro da sua própria mente e de seu próprio coração. Mestres, tradições, técnicas, todos têm o único propósito de ajudar a revelar aquilo que já está dentro de você. Se você pensa diferente, se acredita que a felicidade está "do lado de fora", em uma tradição religiosa, "no seu mestre" ou na "comunidade espiritual", você não compreendeu bem. O dharma consiste nos métodos para revelar o que já está dentro de você.

Alan Wallace em "Budismo com atitude".

Florescendo


   Todos nós, adultos e crianças, somos belas flores. Nossas pálpebras são exatamente como pétalas de rosas, especialmente quando nossos olhos estão fechados. Nossos ouvidos são como campainhas que ouvem o cântico dos passáros. Nossos lábios, todas as vezes que sorrimos, desenham uma bela flor. E nossas mãos são uma flor de lótus de cinco pétalas. A prática consiste em manter a nossa "floração" viva e presente, não apenas em nosso benefício, mas para a felicidade de todos.

Thich Nhat Hanh em "Vivendo em paz". 

A importância da equanimidade


   Se examinarmos o estado da nossa mente ordinária, poderemos ver como ela segrega os seres sencientes em três grupos: o grupo daqueles de quem nos sentimos próximos, o daqueles por quem sentimos aversão e daqueles com relação aos quais somos indiferentes. Consideramos certos seres como parentes e amigos chegados. Mantemos outros a distância, com o pensamento de que eles fizeram mal a nós, aos nossos amigos, parentes e posses no passado, que eles o fazem agora e que farão o mesmo no futuro. Com pensamentos como esses, geramos aversão por esses seres. Nessas circunstâncias, mesmo que falemos em cultivar a compaixão por todos os seres, na verdade, no que diz respeito aos nossos objetivos, nossa compaixão é unilateral e superficial. Por conseguinte, a fim de gerar uma verdadeira compaixão por todos os seres, precisamos primeiro desenvolver uma atitude de equanimidade, um pensamento imparcial que encare igualmente todos os seres sencientes.

S.S. Dalai Lama em "Os estágios da meditação".