Archive for Janeiro 2011

O mito de Ulisses: não ceder aos hábitos mentais.

   Ulisses, o herói da antiga mitologia grega, exemplifica a coragem ao escolher conscientemente ficar receptivo e presente quando a tentação de desistir é intensa. Na viagem marítima de volta à Grécia depois da guerra de Tróia, Ulisses sabia que seu navio atravessaria uma área muito perigosa habitada por lindas donzelas conhecidas como sereias. Ele fora previnido que o apelo dessas mulheres era irresistível e que os marinheiros não conseguiam evitar a tentação de se dirigirem a elas; assim, despedaçavam os barcos nas rochas e afogavam-se. Mas Ulisses queria ouvir o canto das sereias. Ele conhecia a profecia que, se alguém ouvisse suas vozes e resistisse a procurá-las, as sereias perderiam o poder para sempre e definhariam até morrer. Esse desafio motivou-o. 
   Assim que o navio aproximou-se da terra natal das sereias, Ulisses disse aos seus homens para colocarem cera em seus ouvidos e o amarrassem bem apertado no mastro, instruindo-os que por mais que lutasse e gesticulasse, não importa quanto mais colérico ficasse ordenando que cortassem as cordas, eles não o desamarrariam até que o navio chegasse a um ponto familiar da terra, bem distante do canto das sereias. Essa história, é claro, teve um final feliz. Os homens seguiram suas instruções, e Ulisses venceu o desafio. Em um grau maior ou menor, todos nós teremos de passar por um desconforto similar, para não seguir o apelo de nossas sereias pessoais e atravessar a porta aberta do despertar. 

Pema Chödrön em "O salto: um novo caminho para enfrentar as dificuldades inevitáveis".  

Meditação e neuroplasticidade: remodele seu cérebro e seus pensamentos.

   Os benefícios da meditação receberam novas evidências da neurociência nos últimos cinco anos, a medida que os pesquisadores descobrem alterações fisiológicas reais decorrentes de diferentes práticas introspectivas. Recentemente, cientistas do Massachusetts General Hospital avaliaram 16 participantes de um programa de oito semanas de meditação da plena consciência. Esse tipo de meditação tem como foco a percepção de sensações e sentimentos de uma forma livre de julgamentos. Os participantes praticaram meditação 30 minutos por dia. Imagens cerebrais foram obtidas de cada participante, antes e após a prática. Os cientistas observaram um aumento na densidade da substância cinzenta do hipocampo - uma área responsável pelo aprendizado e pela memória. Eles também observaram uma redução na densidade da amígdala - que é responsável pelas respostas de ansiedade e estresse. Uma área que permaneceu inalterada foi a ínsula, relacionada a auto-percepção. Os pesquisadores especulam que alterações nessa região somente ocorrem após um período de meditação mais longo, além das oito semanas.
   Tudo isso nos lembra de duas coisas: 1) O cérebro é muito mais plástico do que os cientistas julgavam há uma década atrás e 2) a maneira como nos sentimos -calmos ou ansiosos- pode se correlacionar com alterações estruturais nos nossos cérebros.

Christie Nicholsom, Scientific American. 

O corpo como instrumento meditativo.

   Asana é um estado em que formamos e assumimos uma posição ou forma específica e a reformamos para obter a configuração correta com estudo. Posicionar o corpo para posar significa ação. Reposicionar significa ação reflexiva. Portanto, após a ação, devemos observar, repensar e refletir sobre as partes do corpo que não estão funcionando. Da mesma maneira, deve-se observar quais partes a mente está penetrando e quais não. Novamente, deve-se observar a extensão, expansão e contração do corpo, se a mente e a inteligência estão simultânea e uniformemente ocupando o corpo inteiro em sua extensão, expansão e contração. Isso é reposicionamento reflexivo. Ao executar os asana; ação, reflexão e reação fazem o praticante reajustar a inteligência de modo sensível e preciso, a fim de englobar cada membro, de ponta a ponta. Se aprendermos a estabelecer igualmente essa sensibilidade intelectual para todas as partes do corpo e todo ser, os asana se transformam em asana meditativos ou contemplativos. Esse deve ser o objetivo de cada sadhaka, a fim de atingir a condição descritiva final e definitiva de cada asana. Então a prática se torna divina.

BKS Iyengar em "On Ashtanga Yoga".

Costurando corpo, mente e consciência.

   Precisamos treinar o eu por meio da consciência - citta. O pequeno eu, ou ser, é a agulha, e a inteligência é o buraco da agulha. A mente é a ponta da linha. Para inserir a linha no buraco da agulha, é preciso preparar a linha com a mão. Se ela estiver muito solta ou grossa, não passará pelo buraco. Então nós a preparamos molhando-a com saliva antes de inseri-la no buraco da agulha. No corpo, o sistema nervoso, o sistema celular, as fibras e os tendões são como linhas. assim que a linha é inserida, a mente fura o buraco da agulha (a inteligência) e ela desaparece. Da mesma forma, na prática dos asana, a mente atua como a ponta preparada da linha, que atravessa a inteligência e guia as fibras a costurarem o corpo na direção certa.
   Então a inteligência assume a liderança e a mente desaparece, ou melhor, acompanha a inteligência. A inteligência é o buraco da agulha. A inteligência faz a agulha costurar o corpo todo, transformá-lo em um tecido perfeito. Da mesma maneira, a consciência, como uma tecelã, teia habilidosamente o tecido da nossa existência. Faço isso em todos os asana e pranayama, assim como em dhyana.  

BKS Iyengar em "Yoga - A divine embroidery"

Somos o que pensamos.

Nós somos o que pensamos.
Tudo o que somos emerge com os nossos pensamentos.
Com os pensamentos fazemos o mundo.
Se falares ou agires com um espírito impuro,
os problemas seguir-te-ão
Como a roda segue o boi que puxa a carroça.

Nós somos o que pensamos.
Tudo o que somos emerge com os nossos pensamentos.
Com os nossos pensamentos fazemos o mundo.
Se falares ou agires com um espírito puro, a felicidade seguir-te-á
como a tua sombra, constantemente.
Como pode um espírito perturbado
Compreender o caminho?

O vosso pior inimigo não vos pode magoar
tanto quanto os vossos pensamentos descontrolados.
Mas uma vez dominados,
ninguém vos ajudará tanto como eles,
nem mesmo o vosso pai ou a vossa mãe.

Dhammapada.

Cultivando a sabedoria.

   Na prática da meditação estática, se o seu coração permanecer calmo e concentrado, esse é um instrumento muito importante para explorar. Porém, é preciso ter cuidado para não ficar apegado à tranquilidade. Se você estiver sentado para meditar apenas para ficar concentrado e, com isso, sentir felicidade ou prazer, está perdendo o seu tempo. A prática consiste em sentar-se para meditar e deixar que o coração se aquiete e se concentre e, depois, servir-se dessa concentração para examinar a natureza da mente e do corpo. Caso contrário, se você apenas aquieta a mente e o coração, só haverá paz e pureza enquanto estiver meditando. É o mesmo que pegar uma pedra para esconder o buraco do lixo; ao retirá-la o buraco continuará infestado e cheio de lixo. A questão não está em quanto tempo você medita. Você precisa fazer uso da concentração, não para se perder temporariamente na beatitude, mas para examinar em profundidade a natureza do corpo e da mente. É isso que realmente o liberta.
   O exame do corpo e da mente não implica diretamente o uso do pensamento. Existem dois níveis de exame: um é racionalista e discursivo, prendendo-se numa percepção superficial da experiência; o outro é uma atenção silenciosa, concentrada e interiorizada. Só quando o coração está concentrado e quieto é que a verdadeira sabedoria nasce naturalmente. A princípio, a sabedoria não passa de uma voz muito fraca, de uma frágil plantinha apenas despontando do chão. Se você não perceber isso, talvez pense muito a respeito, mas poderá acabar pisando na plantinha. Porém, se você a cultivar em silêncio, então, nesse espaço, você começará a perceber a natureza básica do seu corpo e dos processos mentais. É essa percepção que o levará a entender a mudança, o vazio e o nada do corpo e da mente.    

Achaan Chah em "Uma tranquila lagoa na floresta".

Onde está o Dharma?

   Tudo o que você vê é o Dharma; construir uma casa, descer a rua, meditar no banheiro ou aqui, no salão - tudo isso é Dharma. Quando você apreender corretamente, nada existirá no mundo que não seja Dharma. Mas você precisa entender. A felicidade e a infelicidade, o prazer e a dor são nossos eternos companheiros. Quando você entende a sua natureza, o Buda e o Dharma estão exatamente ali. Quando você vê claramente, cada momento da experiência é Dharma. Porém, a maioria das pessoas reage cegamente a qualquer acontecimento agradável: "Oba, gostei disto! Quero mais!" - e a qualquer acontecimento desagradável: "Chega! Não gostei disto! Não quero mais." Se, ao contrário, você permitir a si mesmo enfrentar plenamente a natureza de cada experiência da maneira mais simples, você se tornará um com Buda. 

Achaan Chah em "Uma tranquila lagoa na floresta".  

A grande compaixão.

   Na visão budista mahayana, existe algo mais além da compaixão imensurável chamada "grande compaixão". A grande compaixão se levanta além do desejo de "que você esteja livre do sofrimento" para "que eu o realize". A grande compaixão carrega a responsabilidade de libertar os outros do sofrimento. Se você se arrepiar com esta idéia, captou a mensagem. Considere todos os conflitos do mundo. Como pode uma única pessoa assumir a responsabilidade de libertar os outros do sofrimento? Relembre várias vezes, cada vez de modo mais profundo: a compaixão sem sabedoria é escravidão. O que "eu" posso assumir sobre a responsabilidade de aliviar o sofrimento do mundo? Eu, como um indivíduo finito, certamente não possuo essa capacidade. A visão budista é que o "eu" como uma entidade autônoma separada, como um ego, nem sequer existe. A visão budista é que minha existência é de inter-relação com todos os que estão próximos. Além disso, a minha existência está também em inter-relação com a mente de buda, presente em toda a parte. E essa conscientização iluminada possui uma capacidade inexaurível de servir às necessidades do mundo. Este é o significado da grande compaixão. Para cultivar e manter a grande compaixão, você precisa de um insight profundo da natureza fundamental da mente. 
   Existem diferentes níveis de compaixão. Existe a "compaixão episódica", quando você sente simpatia por aqueles que estão em sofrimento. Existe uma compaixão mais profunda, que surge com o insight, na qual você compreende a impermanência, o fluxo ou a natureza passageira de tudo à sua volta. Tudo a que você se liga para ter uma vida boa, o corpo, a felicidade, tudo se encontra em um estado de fluxo. Tudo que for adquirido, será perdido. Compreenda profundamente a impermanência e reconheça como os seres sencientes apostam sua vida e a felicidade no que é impermanente. Finalmente, a forma mais profunda de compaixão, a grande compaixão, sem limites e não-dual, surge casada com a compreensão do vazio e não tem objeto algum de incerteza.

B. Alan Wallace em "Budismo com atitude".       

Lidando com as emoções negativas.

   Não poderíamos deixar as emoções negativas desaparecerem por si mesmas? A experiência mostra que, como uma infecção que não é tratada, essas emoções ganham mais forças quando permitimos que elas sigam o seu curso. Deixar explodir a raiva, por exemplo, tende a criar um estado de instabilidade psicológica que só nos torna ainda mais irascíveis. As conclusões de vários estudos psicológicos contradizem a idéia de que dar livre expressão às emoções alivia as tensões acumuladas. Na verdade, do ponto de vista fisiológico acontece exatamente o contrário: quando evitamos que a raiva se expresse, a pressão arterial diminui, e sobe quando temos um acesso de fúria.
   Ao expressarmos todas as nossas emoções negativas, desenvolvemos hábitos que nos dominarão assim que a carga emocional atingir o seu limite crítico. Além disso, teremos cada vez menos controle e explodiremos de raiva com maior facilidade. Isso resultará naquilo que se chama comumente de "má índole", acompanhada de um sofrimento crônico.
   Estudos comportamentais mostram que as pessoas que conseguem equilibrar melhor as suas emoções (controlando-as sem repressão) são também as que manifestam comportamentos altruístas quando deparam com o sofrimento alheio. A maioria das pessoas hiperemotivas está mais preocupada com a sua própria angústia diante dos sofrimentos temidos do que com a maneira pela qual podem remediá-los.
   Porém, não se pode concluir a partir de tais constatações que devemos abafar ou reprimir as nossas emoções. Isso redundaria em evitar que elas se manifestassem e ao mesmo tempo nós as deixaríamos intactas, sem transformá-las, como bomba-relógio nos cantos obscuros da nossa mente - o que não passa de uma solução temporária e doentia. Os psicólogos asseveram que uma emoção reprimida pode causar graves problemas mentais e físicos, portanto, é preciso evitar a todo o custo que as emoções se voltem contra nós mesmos. Por outro lado, expressá-las de maneira extremada e sem controle também pode dar origem a explosões mortais, cujos exemplos mais comuns são o assassinato, as matanças, e as guerras. Podemos morrer de apoplexia em um acesso de cólera, ou consumir-nos em desejos obsessivos. Todos esses casos ocorrem porque fomos incapazes de estabelecer o diálogo correto com as nossas emoções.  

Matthieu Ricard em "Felicidade, a prática do bem-estar".

Como agarrar uma serpente.

   "A nossa prática consiste em não agarrar coisa alguma", disse Achaan Chah a um novo monge.
   "Mas não é necessário, algumas vezes, agarrar-nos a alguma coisa?", protestou o monge.
   "Com as mãos, sim, mas não com o coração", o mestre respondeu. Quando o coração se apega ao que é doloroso, é como ter sido picado por uma serpente. Quando, através do desejo, ele se agarra ao que é prazeroso, está agarrando a cauda da serpente. Daí para a cabeça da serpente se voltar e mordê-lo, é só um passo. Faça desse desapego, desse cuidado absoluto, o guardião do seu coração, como uma mãe, como um pai. Então as coisas de que você gosta virão ao seu encontro, como crianças. 'Eu não gosto disso, mamãe. Eu quero mais, papai!' Sorria apenas e concorde: 'Está bem, filho.' Não há problema se tudo isso for feito sem apego."
   Quando algo entra em contato com os sentidos; nasce uma atração ou uma repulsa e, ao mesmo tempo, a ilusão. E, então, com cuidado e discernimento, da mesma experiência pode nascer a sabedoria.

Achaan Chah em "Uma tranquila lagoa na floresta".      

Existe um "eu"?

   Uma análise rigorosa nos forçará a concluir que o eu não reside em nenhuma parte do corpo. Ele não está nem no coração, nem no peito, nem na cabeça. Ele também não é algum tipo de entidade difusa, como uma substância que permeia o corpo. Acreditamos que o eu está associado à consciência, mas ela também é um fluxo que nos escapa: em termos de experiência viva, o momento passado da consciência está morto (só permanece o seu impacto), o futuro ainda não está lá, e o presente não dura. Como pode existir um eu separado, suspenso como uma flor no céu, entre algo que não existe mais e algo que ainda não existe? Ele não pode ser detectado nem no corpo nem na mente; não é nem uma entidade distinta na combinação dos dois, nem algo externo a eles. Nenhuma análise séria, nenhuma experiência contemplativa ou introspectiva direta pode justificar um sentimento tão forte de possuir um eu. O eu não pode ser encontrado naquilo a que o associamos. Qualquer um pode pensar que é alto, jovem e inteligente, mas nem a altura, nem a juventude e nem a inteligência são o eu. O budismo, portanto, conclui que o eu é apenas um nome pelo qual designamos um continuum, como ao darmos a um rio o nome de Ganges ou Mississipi. Esse continuum certamente existe, mas de modo puramente convencional e fictício. É inteiramente desprovido de existência autônoma.

Matthieu Ricard em "Felicidade, a prática do bem-estar".

Expectativas...

   Nas tradições orientais existem muitas histórias que ilustram bem o entrave que a expectativa pode criar no processo de silenciar as nossas mentes e serenar os nossos corações. Um desses exemplos, popular entre os budistas tibetanos, conta a trajetória de um velho que vivia numa pequena aldeia a qual, certo dia, recebeu a visita de um lama muito respeitado no país. O velho entrou numa imensa fila de pessoas vindas de toda a região para serem atendidas pelo lama. 
   Permaneceu naquela longa e cansativa espera por vários dias até chegar a sua vez. Ao dirigir-se ao lama disse: "Mestre, já cumpri minha missão de pai de família e trabalhador nesta vida e o meu objetivo agora é apenas encontrar a iluminação. O que devo fazer para consegui-la?" "Meu filho", respondeu-lhe o lama, "há muitas práticas que podem ajudá-lo a iluminar-se." O mestre ensinou-lhe várias delas e aconselhou-o a encontrar um lugar tranquilo e isolado no alto de uma montanha onde houvesse uma caverna para abrigá-lo, de modo que pudesse, então, se dedicar a fazer tudo aquilo que lhe havia transmitido. O velho assim procedeu e durante cinco, dez, quinze, vinte anos concentrou-se totalmente na prática dos ensinamentos do mestre sem que eles surtissem qualquer efeito. Muito idoso, já desanimado, o ancião ouviu dizer que o mesmo lama estava para retornar à cidade. Desceu a montanha, entrou mais uma vez na enorme fila que já se formava e, novamente, aguardou por dias e noites para ser atendido. Ao falar com o lama, contou-lhe tudo o que havia se passado. O monge, então, perguntou: "Quais foram mesmo as instruções que lhe passei?" O velho repetiu-as e o lama, coçando o queixo e balançando a cabeça, respondeu: "Lamento muito, meu filho, mas eu estava enganado. Não há nada que eu possa fazer a respeito." O velho desesperou-se. Rolou no chão, esperneou e quase arrancou os cabelos sem se conformar, até que, cansado, adormeceu. Ao despertar, deu-se conta da situação e num dar de ombros concluiu: "Já fiz de tudo na vida, agora só me resta seguir meditando, como nos últimos vinte anos." Subiu a montanha, dirigiu-se à sua caverna, sentou-se na mesma pedra como há tanto tempo vinha fazendo, entregou-se à situação, relaxou e ... iluminou-se!"
   O lama na sua profunda sabedoria e experiência, percebeu o grande apego do velho às expectativas que criava em relação ao resultado de suas meditações. Sabendo que a iluminação só é possível num estado de total liberdade e reconhecendo que seu discípulo tivera um importante treinamento de paciência, humildade, abnegação, força de vontade, disciplina e perseverança, o mestre fez a coisa mais indicada para ajudar o velho a dissolver seu último apego. Sem dúvida, a atitude do lama foi um ato de grande amor.    

Kumbhaka,a pausa da respiração Pranayama.

   Kumbhaka, ou contenção do folêgo, ocorre depois de concluída a inspiração ou a expiração. Consiste na interrupção voluntária do fluxo de ar no princípio ou no fim do ciclo respiratório, mantendo-o nos pulmões por certo tempo, determinado quase sempre por uma contagem simples.
   No final da inspiração, uma interrupção curta permite que seus pulmões absorvam mais oxigênio. Graças a essa dose extra, todo o seu sistema fica mais energizado e alerta. A suspensão após a expiração provoca uma sensação cada vez mais intensa de vacuidade. Na tradição zen-budista, a suspensão após a expiração é de vital importância para nos esquecermos de "tudo" e ficarmos vazios em bases regulares. Em nossa cultura, tendemos a enfatizar a plenitude, não o vácuo. Ao meditar sistematicamente durante a pausa que sucede a expiração, você se sentirá mais livre. 
   Pare e experimente: segure o folêgo ao final da inspiração (conte até 2 ou 4) e em seguida contando até 2 ou 4 após o final da expiração. Deixe que ambos movimentos ocorram naturalmente, à velocidade normal. 

John Selby em "Sete mestres, um caminho". 
N.A.: Pranayama é o conhecimento e controle do Prana.